Memórias de infância: tessituras de uma aprendizagem amazônica

Rute Baia da Silva Ubagai

Belém, Pará, Brasil

Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Pará. Mestre em Educação Matemáticas e doutoranda no Programa de Pós-graduação em Docência em Educação em Ciências e Matemáticas no IEMCI/UFPA. Especialista em Planejamento e Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Compõe o quadro de professor na Secretaria Executiva de Educação do Estado do Pará (SEDUC-PA) e SEMEC-Belém. Membra GETNOMA e Laboratório de Ensino de Matemática da Amazonia Tocantina – LEMAT.

Memórias de infância: tessituras de uma aprendizagem amazônica

Resumo

Partimos do diálogo sensível entre memórias de infância da autora na Amazônia paraense e pilares da Etnomatemática e da Educação Matemática Crítica. A narrativa autoetnográfica inicia na Santa Casa de Misericórdia em Belém e segue como ato de persistência existencial frente à escassez. Tratamos da “carpintaria do saber” paterna e do “processamento do açaí” materno, tomados como  matrizes de uma ciência orgânica e territorializada. A matemática manifesta-se sob a ótica do prumo, precisão técnica e gestão de incertezas. Validar território e afeto, cumpre na educação o papel ético-político de garantir o direito de ler a si próprio e ao mundo com dignidade.

Palavras-chave: Etnomatemática. Memórias de Infância. Alfabetização. Narrativa. Afetividade.

Childhood memories: weavings of an amazonian learning

Abstract

We start from a sensitive dialogue between the author’s childhood memories in the Pará Amazon and the pillars of Ethnomathematics and Critical Mathematics Education. The autoethnographic narrative begins at the Santa Casa de Misericórdia in Belém and continues as an act of existential persistence in the face of scarcity. We address the paternal “carpentry of knowledge” and the maternal “açaí processing,” taken as matrices of an organic and territorialized science. Mathematics manifests itself through the perspective of the plumb line, technical precision, and the management of uncertainties. Validating territory and affection fulfills an ethical-political role in education: ensuring the right to read oneself and the world with dignity.

Keywords: Ethnomathematics. Childhood Memories. Literacy. Narrative. Affectivity

Memorias de infancia: tejeduras de un aprendizaje amazónico

Resumen 

Partimos del diálogo sensible entre las memorias de infancia de la autora en la Amazonía paraense y los pilares de la Etnomatemática y de la Educación Matemática Crítica. La narrativa autoetnográfica se inicia en la Santa Casa de Misericordia en Belém y continúa como un acto de persistencia existencial frente a la escasez. Abordamos la “carpintería del saber” paterna y el “procesamiento del açaí” materno, tomados como matrices de una ciencia orgánica y territorializada. La matemática se manifiesta bajo la óptica de la plomada, la precisión técnica y la gestión de incertidumbres. Validar el territorio y el afecto cumple, en la educación, el papel ético-político de garantizar el derecho de leerse a sí mismo y al mundo con dignidad.

Palabras clave: Etnomatemática. Memorias de Infancia. Alfabetización. Narrativa. Afectividad.

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