Leonardo Dourado de Azevedo Neto
Humaitá, Amazonas, Brasil

Leonardo Dourado de Azevedo Neto é professor do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente da Universidade Federal do Amazonas. Doutor (2026) e mestre (2016) em Educação Matemática pelo Programa de Pós-graduação em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Integra a SBEM, a RedINET, o ARANDU e o GEduMaD. Suas pesquisas atravessam a etnomatemática, a filosofia da diferença, a cartografia e os jogos de tabuleiro, afirmando outros modos de conhecer e habitar o mundo.
Quando o número não quis ser negativo
Resumo
Esta crônica reflete sobre uma experiência vivida em uma oficina pedagógica com professores indígenas de Humaitá, quando uma pergunta feita por um professor Parintintin deslocou a compreensão escolar do número negativo. Ao questionar por que algo dado e depois devolvido deveria ser entendido como negativo, a situação evidenciou que os sentidos matemáticos não são universais nem neutros. O texto destaca como as etnomatemáticas emergem no encontro entre matemática escolar, território, reciprocidade e escuta, indicando que ensinar também exige deixar-se afetar por outros modos de pensar.
Palavras-chave: Etnomatemáticas. Número negativo. Educação indígena. Reciprocidade. Ensino de matemática.
When the Number Refused to Be Negative
Abstract
This chronicle reflects on an experience lived during a pedagogical workshop with Indigenous teachers from Humaitá, when a question raised by a Parintintin teacher displaced the school-based understanding of negative numbers. By asking why something given and later returned should be understood as negative, the situation evidenced that mathematical meanings are neither universal nor neutral. The text highlights how ethnomathematics emerge in the encounter between school mathematics, territory, reciprocity, and listening, indicating that teaching also requires allowing oneself to be affected by other ways of thinking.
Keywords: Ethnomathematics. Negative number. Indigenous education. Reciprocity. Mathematics teaching.
Cuando el número no quiso ser negativo
Resumen
Esta crónica reflexiona sobre una experiencia vivida en un taller pedagógico con docentes indígenas de Humaitá, cuando una pregunta formulada por un profesor Parintintin desplazó la comprensión escolar del número negativo. Al cuestionar por qué algo dado y luego devuelto debería entenderse como negativo, la situación evidenció que los sentidos matemáticos no son universales ni neutros. El texto destaca cómo las etnomatemáticas emergen en el encuentro entre matemática escolar, territorio, reciprocidad y escucha, indicando que enseñar también exige dejarse afectar por otros modos de pensar.
Palabras clave: Etnomatemáticas. Número negativo. Educación indígena. Reciprocidad. Enseñanza de la matemática.
