Geciara da Silva Carvalho
Salvador, Bahia- Brasil

Professora Adjunta da Universidade Estadual de Feira de Santana. Doutora em Educação Matemática pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” e mestre em Matemática pela Universidade Federal da Bahia. Licenciada em Ciências com habilitação em Matemática pela Universidade do Estado da Bahia. É pesquisadora no campo da Educação Matemática, com atuação em linhas de pesquisa que envolvem Tecnologias Digitais, Educação Matemática Crítica e Etnomatemática. Foi consultora da área de Matemática para a elaboração das Orientações Curriculares do Estado da Bahia, em 2015, e uma das leitoras críticas da área de conhecimento Matemática e suas Tecnologias do Documento Curricular Referencial da Bahia, em 2022.
Entre sementes, currículos e travessias: quando a Etnomatemática germinou no currículo baiano
Resumo
Esta crônica revisita as primeiras discussões em torno da construção das orientações curriculares para o Ensino Médio da Bahia, destacando como a Etnomatemática foi, gradualmente, assumindo uma força transdisciplinar no currículo. Por meio da metáfora das sementes, o texto rememora debates sobre cultura, interdisciplinaridade, formação humana e ensino de Matemática, evidenciando como essas discussões tensionaram a ideia de uma Matemática neutra, universal e dissociada das experiências vividas. A crônica também aborda as contradições enfrentadas por professores em diferentes territórios baianos durante a implementação das reformas curriculares, especialmente no que se refere às condições de trabalho, às lacunas de aprendizagem dos estudantes e à complexidade das novas propostas. Ao mesmo tempo, evidencia que a Etnomatemática chegou a se inscrever formalmente como componente curricular no Itinerário Formativo Integrado Transdisciplinar, revelando sua potência para articular Matemática, cultura, território, saberes e modos de vida.
Palavras-chave: Etnomatemática. Transdisciplinaridade. Currículo. Ensino Médio. Bahia.
Among Seeds, Curricula, and Crossings: when Ethnomathematics Germinated in Bahia’s Curriculum
Abstract
This chronicle revisits the early discussions surrounding the construction of curricular guidelines for secondary education in Bahia, Brazil, highlighting how Ethnomathematics gradually emerged as a transdisciplinary force within the curriculum. Through the metaphor of seeds, the text recalls debates on culture, interdisciplinarity, teacher education, and the teaching of Mathematics, showing how these discussions challenged the idea of Mathematics as neutral, universal, and detached from lived experiences. The chronicle also brings into focus the tensions faced by teachers in different territories of Bahia during the implementation of curricular reforms, especially regarding working conditions, student learning gaps, and the complexity of new curricular proposals. At the same time, it emphasizes how Ethnomathematics became formally inscribed as a curricular component in the Transdisciplinary Integrated Formative Itinerary, revealing its potential to connect Mathematics with culture, territory, knowledge, and ways of life.
Keywords: Ethnomathematics. Transdisciplinarity. Curriculum. high school. Bahia.
Entre semillas, currículos y travesías: cuando la Etnomatemática germinó en el currículo bahiano
Resumen
Esta crónica retoma las primeras discusiones sobre la elaboración de orientaciones curriculares para la educación secundaria en Bahía, Brasil, destacando cómo la Etnomatemática fue emergiendo gradualmente como una fuerza transdisciplinaria en el currículo. A partir de la metáfora de las semillas, el texto recupera debates sobre cultura, interdisciplinariedad, formación humana y enseñanza de la Matemática, mostrando cómo esas discusiones cuestionaron la idea de una Matemática neutra, universal y desvinculada de las experiencias vividas. La crónica también evidencia las tensiones enfrentadas por docentes de distintos territorios de Bahía durante la implementación de reformas curriculares, especialmente en relación con las condiciones de trabajo, las lagunas de aprendizaje de los estudiantes y la complejidad de las nuevas propuestas. Al mismo tiempo, subraya que la Etnomatemática llegó a inscribirse formalmente como componente curricular en el Itinerario Formativo Integrado Transdisciplinario, revelando su potencia para articular Matemática, cultura, territorio, saberes y modos de vida.
Palabras clave: Etnomatemática. Transdisciplinariedad. Currículo. Educación secundaria. Bahía.
